El Niño coloca café, soja e outras commodities em alerta no 3º trimestre

El Niño coloca café, soja e outras commodities em alerta no 3º trimestre

Especialistas afirmam que calor e irregularidade das chuvas podem influenciar a oferta global e aumentar a volatilidade dos preços.

21/07/2026 Fonte original

O fortalecimento do El Niño deve aumentar os riscos climáticos para a produção agrícola global durante o terceiro trimestre de 2026. Segundo a 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, da StoneX, o fenômeno poderá alterar o comportamento das principais commodities agrícolas, especialmente café, soja, açúcar, trigo, algodão e cacau.

A consultoria projeta que o evento climático ganhará intensidade nos próximos meses, aumentando a incerteza sobre a oferta mundial de alimentos e a formação dos preços nos mercados futuros.

Segundo Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o terceiro trimestre marcará a consolidação do fenômeno. "O período também contará com um aumento expressivo do risco climático em diversas regiões produtoras. O fenômeno tende a modificar padrões de chuva e temperatura em escala global, exigindo atenção redobrada de produtores e agentes do mercado."

O que é o El Niño e por que ele preocupa o mercado?

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

Neste ano, o fenômeno passou rapidamente da neutralidade para um El Niño de intensidade fraca entre março e maio. Agora, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), as temperaturas do Pacífico Equatorial podem apresentar anomalias próximas de 2°C, nível compatível com um evento de forte intensidade.

Além do Pacífico, a StoneX destaca que o comportamento dos oceanos Atlântico e Índico também deverá influenciar o clima no segundo semestre, aumentando tanto o risco de estiagens quanto de excesso de chuvas, dependendo da região produtora.

Soja entra em período decisivo no Brasil

Entre as commodities agrícolas, a soja está entre as culturas que mais exigirão atenção nos próximos meses. Segundo Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities, agosto e setembro representam uma fase decisiva para a recuperação da umidade do solo nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste e Sudeste antes do início do plantio da safra de verão.

Caso o retorno das chuvas ocorra com atraso ou de forma irregular, a implantação da nova safra poderá ser comprometida, alterando as expectativas para a produção brasileira e, consequentemente, para a oferta global.

"O principal risco para o mercado não está apenas na falta ou no excesso de chuva, mas na combinação entre calor intenso e distribuição irregular das precipitações."

Segundo Gioielli, esse cenário pode reduzir a produtividade das lavouras e aumentar a volatilidade dos preços das commodities agrícolas. Além da soja, o Sul do Brasil poderá enfrentar excesso de umidade, condição que favorece o surgimento de doenças em diferentes culturas.

Café depende da evolução do clima

O café também está entre as commodities mais expostas aos efeitos do El Niño. Durante a colheita, chuvas acima do esperado podem dificultar a secagem dos grãos e afetar sua qualidade. Na sequência, o mercado acompanhará as condições climáticas durante as floradas, etapa que influencia diretamente o potencial produtivo da próxima safra.

Segundo Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, a duração do fenômeno será determinante para o comportamento dos preços.

"Hoje o mercado trabalha com a expectativa de oferta abundante no curto prazo, mas o comportamento do El Niño pode redefinir as perspectivas para a safra seguinte. Por isso, apesar do cenário potencialmente baixista para os próximos meses, a volatilidade continua sendo uma característica importante para o café."

Açúcar, trigo, algodão e cacau também estão no radar

O relatório da StoneX aponta que outras commodities agrícolas também poderão sofrer impactos diferentes conforme a região produtora.

No açúcar, o Centro-Sul do Brasil monitora o risco de chuvas durante a colheita da cana, o que pode interromper os trabalhos no campo e reduzir o ritmo de moagem das usinas.

O trigo apresenta cenários distintos entre os hemisférios. Enquanto a Austrália pode enfrentar estiagem associada ao El Niño, o Sul do Brasil corre o risco de registrar excesso de umidade, ambiente favorável ao desenvolvimento de doenças nas lavouras.

O algodão também depende da regularidade das chuvas em importantes regiões produtoras da América do Sul e dos Estados Unidos, onde alterações climáticas podem afetar o desenvolvimento das plantas.

Já o cacau permanece entre as culturas mais sensíveis ao fenômeno. A StoneX destaca riscos de irregularidade das chuvas na África Ocidental e na Indonésia, enquanto o Equador pode registrar maior umidade, favorecendo o crescimento das plantas, mas também aumentando a incidência de doenças.

Calor amplia riscos para as lavouras

Além das mudanças no regime de chuvas, a StoneX prevê temperaturas acima da média em regiões produtoras da América do Sul, América do Norte, Ásia e Oceania.

Segundo Carolina Giraldo, o calor intenso aumenta a necessidade de água pelas plantas e pode comprometer fases importantes do desenvolvimento das culturas, como a floração e o enchimento de grãos.

"O calor persistente amplia a demanda hídrica das plantas e pode acelerar o ciclo de desenvolvimento das culturas. Em fases críticas, como floração e enchimento de grãos, esse comportamento tende a reduzir o potencial produtivo, especialmente quando combinado com baixa disponibilidade de água no solo."

Mercado acompanha clima e preços

Para Guto Gioielli, produtores, investidores e empresas ligadas ao agronegócio devem acompanhar de perto os boletins meteorológicos, a evolução da umidade do solo e o comportamento dos contratos futuros nas bolsas de commodities.

Segundo o analista, a combinação entre calor, irregularidade das chuvas e mudanças nas expectativas de produção pode alterar rapidamente a percepção do mercado sobre a oferta global, influenciando diretamente a formação dos preços das principais commodities agrícolas ao longo do segundo semestre.




Fonte: https://monitordomercado.com.br/noticias/407786-cafe-e-soja-estao-entre-as-commodities-mais-expostas-ao-el-nino-no-3o-trimestre-aponta-stonex/



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