Por que o milho não deve voltar a R$ 20 por saca no Brasil

Por que o milho não deve voltar a R$ 20 por saca no Brasil

Em novo artigo, Guto Gioielli explica como o cereal mudou o patamar de preços

28/05/2026 Fonte original

Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

O mercado de milho no Brasil entrou em uma nova fase, com preços mais elevados e maior integração ao cenário internacional de commodities. O movimento já impacta diretamente o custo de alimentos como carnes, leite e ovos.

Em novo artigo publicado no site O Antagonista, o analista CNPI, Guto Gioielli, explica como o milho deixou para trás os antigos patamares de preço observados nas décadas anteriores.

“O milho mudou de patamar. E, junto com ele, mudou também a estrutura de custos da carne, do leite, dos ovos e, no fim da cadeia, da comida que chega à mesa do brasileiro”, afirmou Gioielli.

Saca abaixo de R$ 20 ficou no passado

De acordo com o analista, a época em que a saca de milho era negociada abaixo de R$ 20 não condiz mais com a realidade atual do agronegócio brasileiro.

Hoje, o cereal opera em uma faixa entre R$ 60 e R$ 70 por saca, consolidando um novo piso de preços no mercado nacional.

Gioielli relembra que, em março de 2006, o Indicador do Milho Cepea/Esalq registrou mínima nominal de R$ 13,32 por saca. Corrigido pela inflação oficial medida pelo IPCA, esse valor equivaleria atualmente a cerca de R$ 39,34.

O milho atingiu o pico nominal em 2021, durante a pandemia, quando a saca superou R$ 100. Para o analista, porém, aquele movimento foi pontual e não representa o cenário-base para os próximos anos.

“Quem ainda projeta milho próximo de R$ 30 por saca está olhando para uma estrutura de mercado que mudou”, alerta Gioielli.

Etanol de milho ampliou demanda interna

Entre os fatores apontados para a mudança estrutural está o crescimento do etanol de milho no Centro-Oeste.

As usinas passaram a transformar o cereal em combustível dentro da própria região produtora, reduzindo a necessidade de escoamento para os portos e criando uma nova frente de consumo doméstico.

Na prática, isso aumentou a absorção da chamada “safrinha”, segunda safra de milho cultivada no Brasil, diminuindo a pressão de queda nos períodos de maior oferta.

Segundo Gioielli, o avanço da proteína animal também ajudou a sustentar os preços. O milho é um dos principais componentes da ração usada nas cadeias de aves, suínos e confinamento bovino.

Chicago e dólar influenciam preço no Brasil

Outro ponto citado por Guto Gioielli é a maior conexão do mercado brasileiro com fatores internacionais.

O preço do milho passou a reagir mais diretamente às oscilações da Bolsa de Chicago, principal referência global para commodities agrícolas, além das variações do dólar.

Com isso, movimentos cambiais passaram a ter impacto imediato sobre o valor do cereal no mercado interno.

Mesmo assim, a sazonalidade segue influenciando os preços. Segundo o analista, junho e julho continuam sendo períodos de pressão devido à entrada da colheita da segunda safra.

Ainda assim, Gioielli avalia que o piso histórico do milho mudou diante da nova estrutura de consumo, exportação e industrialização do grão no Brasil.




Fonte: https://monitordomercado.com.br/noticias/389712-como-o-milho-mudou-o-preco-das-refeicoes-no-brasil-guto-gioielli-explica/



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